- Quantas vezes a senhora viajou com a CVC?
- Xiii, deixa ver... conheço o, o, o Zenith, o, o, Soberano, o, o... uma porção.
- Muitas, viu? Ela merece um desconto. Vocês não tem um cartão fidelidade? Um cartão de léguas, algo do tipo? - entrei na conversa, baixando um folder de viagens de fim de ano.
- Ah, acho que foram umas 10 viagens. - a vó terminou a conta.
- Dez? Só comigo de acompanhante, né vó? Fora as inúmeras vezes que não fui porque eu nem sou a primeira opção.
- Hehehe... é acho que foi mais. - disse a vó sorrindo pra atendente atrás da mesa, que só fez a pergunta porque precisava preencher o formulário.
A mocinha olhou com uma cara de espanto. Pior que não posso dizer pra ela, se é que ela ainda não entendeu (já é a segunda viagem comprada com ela), que se quiser um bônus, ou um aumento no salário precisa atender a vovó com tapete vermelho e muita paciência, porque essa é cliente fiel. Se a vó gostar ela faz sempre do mesmo jeito.
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Mas na verdade não era isso que ia contar quando dei nome ao título.Chegando no estacionamento aproveitei a presença da senhorinha de cabelos brancos, sentada no meu banco de co-pilota, para estacionar nas vagas preferenciais, já que nunca uso! Passei por uma, dentre as poucas, do outro lado da rua, então "corri" até lá, quando cheguei tinha um taxista estacionado, descendo do carro. E do outro lado da rua, exatamente na porta do shopping aquela fila de taxistas esperando seus passageiros. Já fiquei maluca:
- O senhor está estacionado nessa vaga?
- Eeeer, aarr, não! Só estou esperando uma pessoa.
- Só que essa vaga é PREFERENCIAL! O senhor deveria esperar a pessoa na vaga de taxistas! É fogo, viu?
Gente, como estou ficando menos tchonga!!! \o/
Diz aí, hein??? Mandei benzasso! Lutando pelos direitos dos velhinhos!! Tô aprendendo com a Mariane, com meu irmão, e todos os meus amigos ixpiertox! Valeu, galera, vocês são meu tudo. =)˜˜
Só não continuei a discussão porque avistei outra vaga uma quadra a frente.
Assim que desci do carro e ia caminhando para dentro do shopping, vejo um velhinho saindo de ré da vaga, com seu carrão e atropelando um cone. Fiquei atrás do carro tipo a Wanderlea:
- Pára! PÁRA SENHOR!!!
Percebi que ia ser atropelada junto com o cone e fui bater na janela do velhote. Quando ele abriu o vidro, era um velhinho tão velhinho que ele estava com tubos no nariz, do tipo que tem um ticket vencido no bolso:
- Senhor, tem um cone atrás! Vai um pouquinho pra frente de novo que eu tiro pro senhor.
- Ah, muito obrigada minha filha.
E lá fui eu tirar o cone debaixo do carro do Sr. Quase-Morto sobre olhares de estranheza. Parece que as pessoas não estão mais acostumadas a "gentilezas gratuitas". Quando encontrei a vó do outro lado da calçada ela me disse:
- Parabéns, já fez duas boas ações no dia. Tá no crédito.
- É que eu sou escoteira, vó! =)















